quinta-feira, maio 25, 2006

Menina Azul


Era uma vez um sonho, mas esse sonho era muito particular, era um sonho de alguém que não sonhava.
Era uma vida completa e cheia, uma peça com personagens e acção.
Lá no meio andava uma menina de cabelos longos azuis e roxos, encaracolados e compridos, tão compridos que lhe tapavam os seios .
Ela era descendente da Lua, era filha de um Cogumelo Mágico com a prima Estrela da Lua que tocava harpa nas cerimónias. Por isso no seu ventre vinha tatuado um quarto crescente azul, e também como saía à família era dotada de uma voz eloquente, angelical e poderosa, tinha a capacidade de fazer chorar lágrimas de cetim e soltar os gritos mais desesperados.
Ela era uma fada, a fada da confusão, pudera, filha de um Cogumelo Alucinogénico, por sua vez filho de um Cogumelo Venenoso com a Sensatez.
A rapariga azul não podia ser menos confusa, no seu sangue corria o bem, o mal, a sensatez, a loucura, a melodia, a vida.
Ela cantava, e todos no bosque encantado a ouviam, embora a achassem louca.
Ela despia-se e nua dançava no vento, as tranças do cabelo desfaziam-se e ela gemia e uivava até cair num sono rodopiante e genuíno.
Não tinha nome, não tinha vida, não tinha medos nem desejos, apenas existia azul e nua, para assegurar a confusão no mundo, como ela e o seu quarto de lua no ventre.

quarta-feira, maio 24, 2006

Ode à vida

Anos que passaram,
Recordo-os com sentimentos.
Sentimentos inexplicáveis, recordações memoráveis.
Fome de vida, desejo de gritar,
Correr por entre multidões, ao som da música da loucura.
Saltar pelos céus, livre para sentir.

terça-feira, maio 23, 2006

Adeus

É complicado exprimir por palavras o que sinto...
Desde sexta que só penso no telefonema que m trouxe a noticia da tua morte e as perguntas não me largam.
Como?
Porquê?


Hj deixaste oficialmente este mundo, eu não me fui despedir de ti,, não consigo.
Guardo as lembranças de ti em vida.
E é aqui que te deixo uma homenagem, a ti Joana dos óculos azuis...

não consigo escrever mais nada...

Até sempre Camarada!

E a luta continua

domingo, maio 21, 2006

Porquê?

Queria encontrar um livro mágico.
Algo nunca lido, que contivesse a magia de uma vida.

Queria ler e sonhar,
Sonhar a ler,
Ler um sonho,
Sonhar com o lido.

O pó,
O cheiro a bafio dos anos de arrumação.

Um livro encantado,
Com histórias fantásticas,
Personagens imaginárias e cenários teatrais.

Uma heroina sem o ser,
Com uma pergunta para saber,

Porquê ?

sexta-feira, maio 19, 2006

*

Se as estrelas estiverem a sorrir,
Pede-lhes que mandem aos anjos o meu sorriso,
Embala-o em folhas de alecrim e entrega-o à noite.

:(

Sem destino, assim sou eu,
Como uma lágrima que cai do rosto,
O rosto da morte, macabro e carrancudo.
Sem destino, nem fé ou paixão.
Sem a vida aqui estou eu.

quinta-feira, maio 18, 2006

#

Arrepio...
No meu corpo sinto passar uma multidão.
O meu olhar tenta encontrar o teu, mas,
Pára em ti, pára para mim.
Sorrio... Foste embora.

quarta-feira, maio 17, 2006

Sonho

Preciso de me sentir embalada no vento, nadar com as sereias do mar e gritar-lhes para virem comigo até terra. Eu sozinha não consigo, tenho medo, o mundo lá fora é tão cruel e se eu chorar o meu mundo desmorona-se.
Aqui tudo é tão ... Surreal.
As meninas nascem de cabelos azuis ou roxos, os rapazes verdes ou vermelhos, todos eles são felizes e voam em folhas de alecrim.
Somos visitados pelos anjos que trazem noticias das Estrelas, que sabe noticias da Lua. Esta está sempre cheia para nós e enquadra-se entre duas montanhas, separadas por um vale.
A mentira não existe, há sensores, não podemos mentir porque somos descobertos, no entanto não há castigo para a verdade, conversa-se. Ah, que grandes serões, protegida por entre os cogumelos que passei a falar com o Mundo.
Mas, há noite, depois dos banhos tomados, as estrelas saem com os seus vestidos a rigor e dançam entre os gritos e os uivos selvagens. As crianças azuis, roxas e vermelhas de cabelos longos e entrançados dançam num ritual alucinante até se confundirem com os quatro elementos.
Tudo é mágico e alucinado, a Terra gira ao contrário e vemos as coisas em nós, como nos vemos nelas. A Terra sorri, abrindo entranhas que formam novos riachos, e nesses riachos bebemos a água que nos faz sonhar.
Mas, isto já é o sono, a água é apenas o choveiro banal do 15º andar em que vou tomar banho para acordar.
Para quê ?
Os Vales aqui não temem o escuro, o Fogo não namora com a Sabedoria. Tudo é preto ou branco, mas eu não, no meio de um autocarro cinzento eu destoo sendo Azul, não vivendo, Sonhando.Sobrevivo !